Depois de 5 anos sem lançar um CD de inédita, em 2008 chegou às lojas o CD 7 vezes. Como o próprio nome já diz, o sétimo da banda carioca. E o novo trabalho não decepciona.
A banda continua com a pegada forte que sempre teve como característica. O Rappa não mudou o estilo pro conta de contratos com gravadoras ou para atingir outro tipo de público. Uma mistura de Rock, Reggae e Rap e com letras fortes, foge do cenário suflê de chuchu que atinge e música brasileira. É amor pra lá, não vivo sem você pra cá, quando você escuta:
“Já jurei com dedos cruzados
não tô aqui pra ser herói cuzão
pra pagar de otário.”
Esse é um trecho da música “Meu Santo ta cansado”, uma das faixas mais fortes do CD. Mas a melhor música é “Súplica cearense”, uma versão da canção originalmente gravada por Luís Gonzaga, um poeta que soube como poucos contar a vida sofrida dos sertanistas.
“Oh! Deus, perdoe esse pobre coitado, que de joelhos rezou um bocado, pedindo pra chuva cair, cair sem parar.
Oh! Deus será que o senhor se zangou, e é só por isso que o sol se arretirou, fazendo cair toda chuva que há.”
Só com esses dois trechos, já podemos observar que 7 vezes não é um trabalho qualquer. A banda carioca criou uma maturidade com o tempo de estrada, mas, felizmente, continua fazendo bons trabalhos sem cair no óbvio e merece os parabéns.
Ouça a música.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
A vitória sobre si mesmo.
Sabe quando você faz alguma coisa boa e deita em cima? Quando não tenta fazer nada de diferente por medo de errar? Isso acaba sendo uma coisa comum do ser humano. Pra que tentar se eu posso fazer a mesma coisa?
A impressão que dava é que isso tinha acontecido com Marcelo D2. Depois do sucesso da sensacional e original banda Planet Hemp, ele resolveu seguir carreira solo. Em 1999 com o cd “Eu tiro é onda” Marcelo não conseguiu chamar muito a atenção da crítica e do público. Já com “À procura da batida perfeita”, de 2003, ele parecia que tinha conseguido achar o rumo. Uma mistura de hip-hop com samba e um pouco de funk carioca eram os ingredientes de sua receita. Com sua letra meio marginal e seu ritmo inovador, foi premiadíssimo pela crítica especializada e um sucesso de vendas.
Logo depois veio o CD acústico MTV em que fazia versões repaginadas de músicas com o Planet Hemp como “Contexto”, e canções de sua carreira solo como “Loadeando”. Dois anos depois saiu “Meu samba é assim” que também conseguiu emplacar nas rádios com a música que dava nome ao CD.
Mas o trabalho dava aquela impressão de: acho que já ouvi isso antes... E realmente já tinha, e era justamente no trabalho anterior de D2. As batidas eram parecidas e ao acabar de ouvir dava uma decepçãozinha, logo aquele que inovou tanto, vai virar cover de si mesmo?
E quando em 2008, D2 lança “A arte do barulho”. E o trabalho é sensacional! Marcelo se levantou de seu próprio sucesso e colocou mão na massa. Correu riscos. E venceu. “Desabafo”, a música das rádios, apesar de ter um refrão meio pegajoso, inova e mistura bem a MPB com batidas do funk e passa uma mensagem legal como nessa passagem:
"Me contam coisas como se fossem corpos,
Ou realmente são corpos, todas aquelas coisas
Deixa pra lá eu devo ta viajando
Enquanto eu falo besteira nego vai se matando"
Mas há mais coisas. A faixa “A arte do barulho” nos leva de volta ao Rock n’ roll sumido de seus álbuns anteriores. E “Meu tambor toca assim”, pra mim a melhor do CD, traz o mais puro funk. Simples, direto e bom. E outro ponto interessante é que página da maconha foi, finalmente, virada. Não é pelo fato da hipocrisia, isso ele conseguiu vencer, mas acho que com a maturidade vem uma inteligência,e Marcelo já chegou a um ponto que não precisa mais provar nada para ninguém.
Talvez tenha sido o melhor trabalho de 2008. Maturidade, inteligência, originalidade e boa música. Por conta desses quesitos, “A arte do barulho” está aprovado.
Segue clipe de Desabafo:
A impressão que dava é que isso tinha acontecido com Marcelo D2. Depois do sucesso da sensacional e original banda Planet Hemp, ele resolveu seguir carreira solo. Em 1999 com o cd “Eu tiro é onda” Marcelo não conseguiu chamar muito a atenção da crítica e do público. Já com “À procura da batida perfeita”, de 2003, ele parecia que tinha conseguido achar o rumo. Uma mistura de hip-hop com samba e um pouco de funk carioca eram os ingredientes de sua receita. Com sua letra meio marginal e seu ritmo inovador, foi premiadíssimo pela crítica especializada e um sucesso de vendas.
Logo depois veio o CD acústico MTV em que fazia versões repaginadas de músicas com o Planet Hemp como “Contexto”, e canções de sua carreira solo como “Loadeando”. Dois anos depois saiu “Meu samba é assim” que também conseguiu emplacar nas rádios com a música que dava nome ao CD.
Mas o trabalho dava aquela impressão de: acho que já ouvi isso antes... E realmente já tinha, e era justamente no trabalho anterior de D2. As batidas eram parecidas e ao acabar de ouvir dava uma decepçãozinha, logo aquele que inovou tanto, vai virar cover de si mesmo?
E quando em 2008, D2 lança “A arte do barulho”. E o trabalho é sensacional! Marcelo se levantou de seu próprio sucesso e colocou mão na massa. Correu riscos. E venceu. “Desabafo”, a música das rádios, apesar de ter um refrão meio pegajoso, inova e mistura bem a MPB com batidas do funk e passa uma mensagem legal como nessa passagem:
"Me contam coisas como se fossem corpos,
Ou realmente são corpos, todas aquelas coisas
Deixa pra lá eu devo ta viajando
Enquanto eu falo besteira nego vai se matando"
Mas há mais coisas. A faixa “A arte do barulho” nos leva de volta ao Rock n’ roll sumido de seus álbuns anteriores. E “Meu tambor toca assim”, pra mim a melhor do CD, traz o mais puro funk. Simples, direto e bom. E outro ponto interessante é que página da maconha foi, finalmente, virada. Não é pelo fato da hipocrisia, isso ele conseguiu vencer, mas acho que com a maturidade vem uma inteligência,e Marcelo já chegou a um ponto que não precisa mais provar nada para ninguém.
Talvez tenha sido o melhor trabalho de 2008. Maturidade, inteligência, originalidade e boa música. Por conta desses quesitos, “A arte do barulho” está aprovado.
Segue clipe de Desabafo:
A maturidade (ou não) do público.
Para entender este assunto é preciso voltar um pouquinho no tempo. Década de 80, a época mais grandiosa do rock’n roll brasileiro. Inúmeras bandas foram criadas e fizeram muito sucesso com letras de protest, pois a ditura tinha acabado a pouco tempo. Em um rápido exercício de memória posso lembrar várias: Legião Urbana, Barão vermelho, Titãs, Plebe Rude, Ultraje a rigor, Biquíni Cavadão para citar poucas. Mas, quase 30 anos depois do sucesso espetacular, algumas dessas bandas pararam no tempo e não fazem mais nenhum sucesso. Algumas delas sofreram com desmanches e morte de integrantes como Renato Russo no Legião Urbana e Cazuza no Barão Vermelho. Outras simplesmente caíram no ostracismo.
Algumas dessas bandas ainda fazem sucesso como o Titãs, por exemplo, mas somente com criações de anos atrás, dificilmente lançam trabalho de inéditas. Mas porque será que acontece esse bloqueio intelectual? Acho que esses grupos precisam repensar no público que quer atingir. Para entender o que eu digo, basta pensar em dois exemplos.
O Capital Inicial é uma banda que foi lançada no “pacotão” dos anos 80. Seus integrantes faziam parte do Aborto Elétrico, banda de Brasília que separadas, deram origem ao Capital e a Legião. No começo a banda tinha a pegada das outras tantas bandas de protesto, mas era mais puxada ao punk. Os sucessos desta época foram: “Fátima”, “Veraneio Vascaína” e “Música Urbana”. Com letras que diziam isto:
"Porque pobre quando nasce com instinto assassino sabe o que vai ser quando crescer desde menino
Ou ladrão prá roubar ou marginal prá matar
- Papai eu quero ser policial quando eu crescer!"
Depois de um tempo a banda acabou caindo no esquecimento. Até o CD Acústico MTV que deu um fôlego extra a banda. Depois disso, a gravadora teve uma sacada genial. “Repaginar” completamente seus integrantes e dando a homens de 40 anos o aspecto de 20 e poucos para conquistar um público mais jovem. Junto com isso veio às letras boazinhas, deixando o punk dos anos 80 completamente para escanteio. Esta estratégia deu certo e a banda vende muitos discos até hoje.
Outro caso de sucesso é da banda do ex-baixista e vocalista dos Titãs, Nando Reis. Em 1994, ainda em paralelo com os Titãs, lançou o trabalho solo “12 de janeiro”. Mas não foi com isto que o cantor e compositor conseguiu o sucesso de vendas, mas sim quando deixou a banda e se juntou com os “Infernais”. A sua dobradinha com Cassia Eller também alavancou sua carreira. Canções de sua autoria como “Segundo sol” e “Relicário” estouraram nas rádios do Brasil e fez a sua imagem ser totalmente descolada dos Titãs.
Vendo todos esses exemplos penso que o grande segredo é acompanhar o público. No caso do Capital, continuar fazendo músicas para adolescentes somente mudando o que esses adolescentes querem escutar. No caso de Nando, acompanhar a maturidade dos fãs, e fazendo uma música diferente, conquistando outros mais novos.
Assistam o clipe de Vareneio Vascaína:
Algumas dessas bandas ainda fazem sucesso como o Titãs, por exemplo, mas somente com criações de anos atrás, dificilmente lançam trabalho de inéditas. Mas porque será que acontece esse bloqueio intelectual? Acho que esses grupos precisam repensar no público que quer atingir. Para entender o que eu digo, basta pensar em dois exemplos.
O Capital Inicial é uma banda que foi lançada no “pacotão” dos anos 80. Seus integrantes faziam parte do Aborto Elétrico, banda de Brasília que separadas, deram origem ao Capital e a Legião. No começo a banda tinha a pegada das outras tantas bandas de protesto, mas era mais puxada ao punk. Os sucessos desta época foram: “Fátima”, “Veraneio Vascaína” e “Música Urbana”. Com letras que diziam isto:
"Porque pobre quando nasce com instinto assassino sabe o que vai ser quando crescer desde menino
Ou ladrão prá roubar ou marginal prá matar
- Papai eu quero ser policial quando eu crescer!"
Depois de um tempo a banda acabou caindo no esquecimento. Até o CD Acústico MTV que deu um fôlego extra a banda. Depois disso, a gravadora teve uma sacada genial. “Repaginar” completamente seus integrantes e dando a homens de 40 anos o aspecto de 20 e poucos para conquistar um público mais jovem. Junto com isso veio às letras boazinhas, deixando o punk dos anos 80 completamente para escanteio. Esta estratégia deu certo e a banda vende muitos discos até hoje.
Outro caso de sucesso é da banda do ex-baixista e vocalista dos Titãs, Nando Reis. Em 1994, ainda em paralelo com os Titãs, lançou o trabalho solo “12 de janeiro”. Mas não foi com isto que o cantor e compositor conseguiu o sucesso de vendas, mas sim quando deixou a banda e se juntou com os “Infernais”. A sua dobradinha com Cassia Eller também alavancou sua carreira. Canções de sua autoria como “Segundo sol” e “Relicário” estouraram nas rádios do Brasil e fez a sua imagem ser totalmente descolada dos Titãs.
Vendo todos esses exemplos penso que o grande segredo é acompanhar o público. No caso do Capital, continuar fazendo músicas para adolescentes somente mudando o que esses adolescentes querem escutar. No caso de Nando, acompanhar a maturidade dos fãs, e fazendo uma música diferente, conquistando outros mais novos.
Assistam o clipe de Vareneio Vascaína:
Zeca Balero e o Cd duplo.
O maranhense Zeca Balero lançou em 2008 seu novo trabalho. O Coração do homem bomba é dividido em dois CDs lançados com cerca de três meses de intervalo. Em recente entrevista no programas Altas horas, Zeca contou que teve a idéia de dividir o Cd porque o primeiro ficaria sendo “a festa” e o segundo “a ressaca”.
Zeca é um dos nomes mais talentosos da MPB. Seus trabalhos antigos são muito bons, em especial o cd “Pet shop mundo cão” de 2003 e “Líricas”, de 2000. CDs com uma pegada diferente, enquanto o primeiro tem músicas fortes como “A Serpente” e “Despedi o meu patrão”, Líricas vinha mais suave com “Minha Casa” e “Babylon”.
Zeca já se mostrou talentoso nessas duas vertentes, e “O coração do homem bomba” possui momentos geniais do autor como sua parceria com Chico César em “Eu detesto Coca Light” em uma parte que diz:
“Gosto de sair a noite de tomar um birinight
Jurubeba, tubaína, johnny walker, black white
Me afogo na cangibrina caio no tatima tite
Tomo cinco ou seis salinas feito fosse chocolate
Engulo até gasolina, mas detesto Coca Light”
No cd também existe a grande sacada de “Toca Raul” que, musicalmente, é a melhor de todas, que em uma parte diz:
“Mal eu subo no palco
Um mala um maluco já grita de lá
-Toca Raul!
A vontade que me dá é de mandar
O cara tomar naquele lugar
Mas aí eu paro penso e reflito
como é poderoso esse Raulzito
Puxa vida esse cara é mesmo um mito”
Porém, por mais que o CD seja relativamente bom, existe um lado megalomaníaco nessa história de trabalho duplo. Por exemplo, com músicas que mais parecem uma vinheta e duram menos de um minuto e não passam mensagem nenhuma. Um compositor tão talentoso quanto Zeca, é um desperdício composições como:
“Pedro deves-me trinta
O diabo não é tão feio
Assim como se pinta.”
Mesmo com os problemas de ter um disco duplo, Zeca continua longe dos pretensiosos da moderna MPB. Aqueles que falam e não falam e que querem fazer músicas profundas e acabam fazendo músicas para metidos à besta. O trabalho de Zeca anda por caminhos meio tortuosos e chega a várias vezes andar na corda bamba, mas recebe o selo de aprovação deste que vos fala.
Veja o clipe de Toca Raul
Zeca é um dos nomes mais talentosos da MPB. Seus trabalhos antigos são muito bons, em especial o cd “Pet shop mundo cão” de 2003 e “Líricas”, de 2000. CDs com uma pegada diferente, enquanto o primeiro tem músicas fortes como “A Serpente” e “Despedi o meu patrão”, Líricas vinha mais suave com “Minha Casa” e “Babylon”.
Zeca já se mostrou talentoso nessas duas vertentes, e “O coração do homem bomba” possui momentos geniais do autor como sua parceria com Chico César em “Eu detesto Coca Light” em uma parte que diz:
“Gosto de sair a noite de tomar um birinight
Jurubeba, tubaína, johnny walker, black white
Me afogo na cangibrina caio no tatima tite
Tomo cinco ou seis salinas feito fosse chocolate
Engulo até gasolina, mas detesto Coca Light”
No cd também existe a grande sacada de “Toca Raul” que, musicalmente, é a melhor de todas, que em uma parte diz:
“Mal eu subo no palco
Um mala um maluco já grita de lá
-Toca Raul!
A vontade que me dá é de mandar
O cara tomar naquele lugar
Mas aí eu paro penso e reflito
como é poderoso esse Raulzito
Puxa vida esse cara é mesmo um mito”
Porém, por mais que o CD seja relativamente bom, existe um lado megalomaníaco nessa história de trabalho duplo. Por exemplo, com músicas que mais parecem uma vinheta e duram menos de um minuto e não passam mensagem nenhuma. Um compositor tão talentoso quanto Zeca, é um desperdício composições como:
“Pedro deves-me trinta
O diabo não é tão feio
Assim como se pinta.”
Mesmo com os problemas de ter um disco duplo, Zeca continua longe dos pretensiosos da moderna MPB. Aqueles que falam e não falam e que querem fazer músicas profundas e acabam fazendo músicas para metidos à besta. O trabalho de Zeca anda por caminhos meio tortuosos e chega a várias vezes andar na corda bamba, mas recebe o selo de aprovação deste que vos fala.
Veja o clipe de Toca Raul
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