Para entender este assunto é preciso voltar um pouquinho no tempo. Década de 80, a época mais grandiosa do rock’n roll brasileiro. Inúmeras bandas foram criadas e fizeram muito sucesso com letras de protest, pois a ditura tinha acabado a pouco tempo. Em um rápido exercício de memória posso lembrar várias: Legião Urbana, Barão vermelho, Titãs, Plebe Rude, Ultraje a rigor, Biquíni Cavadão para citar poucas. Mas, quase 30 anos depois do sucesso espetacular, algumas dessas bandas pararam no tempo e não fazem mais nenhum sucesso. Algumas delas sofreram com desmanches e morte de integrantes como Renato Russo no Legião Urbana e Cazuza no Barão Vermelho. Outras simplesmente caíram no ostracismo.
Algumas dessas bandas ainda fazem sucesso como o Titãs, por exemplo, mas somente com criações de anos atrás, dificilmente lançam trabalho de inéditas. Mas porque será que acontece esse bloqueio intelectual? Acho que esses grupos precisam repensar no público que quer atingir. Para entender o que eu digo, basta pensar em dois exemplos.
O Capital Inicial é uma banda que foi lançada no “pacotão” dos anos 80. Seus integrantes faziam parte do Aborto Elétrico, banda de Brasília que separadas, deram origem ao Capital e a Legião. No começo a banda tinha a pegada das outras tantas bandas de protesto, mas era mais puxada ao punk. Os sucessos desta época foram: “Fátima”, “Veraneio Vascaína” e “Música Urbana”. Com letras que diziam isto:
"Porque pobre quando nasce com instinto assassino sabe o que vai ser quando crescer desde menino
Ou ladrão prá roubar ou marginal prá matar
- Papai eu quero ser policial quando eu crescer!"
Depois de um tempo a banda acabou caindo no esquecimento. Até o CD Acústico MTV que deu um fôlego extra a banda. Depois disso, a gravadora teve uma sacada genial. “Repaginar” completamente seus integrantes e dando a homens de 40 anos o aspecto de 20 e poucos para conquistar um público mais jovem. Junto com isso veio às letras boazinhas, deixando o punk dos anos 80 completamente para escanteio. Esta estratégia deu certo e a banda vende muitos discos até hoje.
Outro caso de sucesso é da banda do ex-baixista e vocalista dos Titãs, Nando Reis. Em 1994, ainda em paralelo com os Titãs, lançou o trabalho solo “12 de janeiro”. Mas não foi com isto que o cantor e compositor conseguiu o sucesso de vendas, mas sim quando deixou a banda e se juntou com os “Infernais”. A sua dobradinha com Cassia Eller também alavancou sua carreira. Canções de sua autoria como “Segundo sol” e “Relicário” estouraram nas rádios do Brasil e fez a sua imagem ser totalmente descolada dos Titãs.
Vendo todos esses exemplos penso que o grande segredo é acompanhar o público. No caso do Capital, continuar fazendo músicas para adolescentes somente mudando o que esses adolescentes querem escutar. No caso de Nando, acompanhar a maturidade dos fãs, e fazendo uma música diferente, conquistando outros mais novos.
Assistam o clipe de Vareneio Vascaína:
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