Sabe quando você faz alguma coisa boa e deita em cima? Quando não tenta fazer nada de diferente por medo de errar? Isso acaba sendo uma coisa comum do ser humano. Pra que tentar se eu posso fazer a mesma coisa?
A impressão que dava é que isso tinha acontecido com Marcelo D2. Depois do sucesso da sensacional e original banda Planet Hemp, ele resolveu seguir carreira solo. Em 1999 com o cd “Eu tiro é onda” Marcelo não conseguiu chamar muito a atenção da crítica e do público. Já com “À procura da batida perfeita”, de 2003, ele parecia que tinha conseguido achar o rumo. Uma mistura de hip-hop com samba e um pouco de funk carioca eram os ingredientes de sua receita. Com sua letra meio marginal e seu ritmo inovador, foi premiadíssimo pela crítica especializada e um sucesso de vendas.
Logo depois veio o CD acústico MTV em que fazia versões repaginadas de músicas com o Planet Hemp como “Contexto”, e canções de sua carreira solo como “Loadeando”. Dois anos depois saiu “Meu samba é assim” que também conseguiu emplacar nas rádios com a música que dava nome ao CD.
Mas o trabalho dava aquela impressão de: acho que já ouvi isso antes... E realmente já tinha, e era justamente no trabalho anterior de D2. As batidas eram parecidas e ao acabar de ouvir dava uma decepçãozinha, logo aquele que inovou tanto, vai virar cover de si mesmo?
E quando em 2008, D2 lança “A arte do barulho”. E o trabalho é sensacional! Marcelo se levantou de seu próprio sucesso e colocou mão na massa. Correu riscos. E venceu. “Desabafo”, a música das rádios, apesar de ter um refrão meio pegajoso, inova e mistura bem a MPB com batidas do funk e passa uma mensagem legal como nessa passagem:
"Me contam coisas como se fossem corpos,
Ou realmente são corpos, todas aquelas coisas
Deixa pra lá eu devo ta viajando
Enquanto eu falo besteira nego vai se matando"
Mas há mais coisas. A faixa “A arte do barulho” nos leva de volta ao Rock n’ roll sumido de seus álbuns anteriores. E “Meu tambor toca assim”, pra mim a melhor do CD, traz o mais puro funk. Simples, direto e bom. E outro ponto interessante é que página da maconha foi, finalmente, virada. Não é pelo fato da hipocrisia, isso ele conseguiu vencer, mas acho que com a maturidade vem uma inteligência,e Marcelo já chegou a um ponto que não precisa mais provar nada para ninguém.
Talvez tenha sido o melhor trabalho de 2008. Maturidade, inteligência, originalidade e boa música. Por conta desses quesitos, “A arte do barulho” está aprovado.
Segue clipe de Desabafo:
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